TAMBABA (parte II) – Pelados à beira mar

Ramon Ribeiro

Parte 1 aqui

Há uma diferença entre naturismo e nudismo. O Naturismo é um modo de vida, em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática da nudez social, com a intenção de encorajar o auto-respeito, o respeito pelo próximo e pelo meio ambiente, como assim ficou definido internacionalmente. O nudismo é simplesmente a prática de freqüentar sem roupa um determinado lugar.

Em pouco tempo despido, deu para perceber quem apenas queria ficar pelado e quem ficava pelado por filosofia. Apesar das diferenças, o ambiente é de respeito. Não há ninguém que lhe deixe incomodado. Que fique de olho em seus dotes. Que lhe deixe constrangido de estar nu.

Sou marinheiro de primeira viagem, então no começo eu fiquei constrangido, mas um tempo depois o embaraço sumiu. Quando passou eu percebi que a vergonha foi entre eu e meu corpo. Você não tira a roupa com vergonha que os outros olhem, você não tira a roupa porque você não conhece ao certo seu corpo. Não tem autoconfiança. Depois que você começa a andar nu e ver todos do mesmo jeito, se divertindo, curtindo a praia, indo e vindo, a sexualidade do corpo passa a ficar em segundo plano. Não há como ficar excitado nesse ambiente a não ser que o motivo seja esse.

Nus, eu e Priscila passamos pela primeira parte da praia. Para chegar ao outro lado, onde a nudez é de fato obrigatória, os visitantes precisam atravessar um pequeno caminho por dentro da mata. Um espaço onde representantes do Naturismo de Tambaba ficam para responder qualquer dúvida sobre o Naturismo e a praia.

Chegando no outro lado, eu me deparo com uma imagem interessante. O que para alguns seria no mínimo estranho, engraçado ou putaria, eu vi com bastante entusiasmo. Cerca de 300 pessoas curtindo a vida peladas. Homens e mulheres, gordos e magros, velhos e jovens, crianças, brancos e negros, famílias, casais, grupos de amigos fazendo tudo que qualquer pessoa faz na praia, só que nus.

Essa parte da praia é mais ampla e tão bela quanto a outra. Coqueiros, falésias, areia branquinha, mar ótimo para banho e muito bom para surfar. Por sinal, um peladão cortava as ondas praticando kit surf. Na areia, uma rede de vôlei armada com homens e mulheres jogando. Uma grande quantidade de mesas e cadeiras, com toda a cambada de adeptos do naturismo tomando umas cervejinhas e outros, mais radicais ficavam nos suquinhos.

De frente para o mar, uma pousada/restaurante. O único estabelecimento nessa parte da praia. O dono, Kleber, é um antigo naturista da região. Foi com ele que eu cheguei para perguntar se ainda havia espaço para montar uma barraca no terreno da pousada. Ele encontrou um lugarzinho primeira. Ao redor, 12 barracas de camping armadas. De um lado, uma barraca grande abrigava um casal com um par de filhos. Vieram conhecer Tambaba e acharam legal passar uns dias acampados. De outro lado, uns casais de branquelos conversavam em frente das barracas. Todo mundo parecia de paz com tudo. Só curtindo a maresia com as bolas e seios de fora.

Em meia hora eu e Priscila armamos a barraca. O que nos parecia ser um trabalho difícil, pois nunca tínhamos acampado, não poderia ser mais fácil. Barraca pronta, tratamos de jogar todas as nossas tralhas lá dentro e ir sair para dar uma volta pela praia.

Comprei uma cerva e fui conhecer a praia com Priscila que ia de água de coco. Era tudo novo pra gente. A paisagem, as pessoas se divertindo. Passando por uma parte com rochas, encontramos outro espaço da praia, menos movimentado, onde os mais tímidos ficavam pegando sol e fazendo piquenique.

Sempre pelados, fomos para a primeira parte da praia. Lá há o restaurante do Xexeu. Um local erguido com madeira, bem rústico. Demos uma sacada no cardápio e notamos que é o local mais barato para se comer na praia. Nos sentamos e pedimos uma carne de sol com fritas. Para beber, mais gela. Enquanto a maresia batia nos meus culhões, eu via o sol se preparando para se pôr.

Depois do almoço show de bola, fomos dar uma olhada nos estandes na parte de cima da praia. Muita coisa pra gringo. Quis comprar uma revista brasileira sobre naturismo, mas não havia mais exemplares à venda. Encontrei um estande que vendia uma cachaça de Tambaba. Provei umas doses e resolvi comprar uma garrafa. Mais pra frente vi uns artesanatos, camisas, uma mulherzinha vendendo licores, parei. Provei uns 10 sabores e comprei um licor de cupuaçu que me pareceu o mais gostoso. Antes de voltar pra barraca, já de noite, jantamos uns pasteis que eram verdadeiras refeições.

Na praia, o movimento era pouco. Só restava a galera que estava acampada e hospedada na pousada. Curti o silêncio da noite. A lua estava se preparando para no dia seguinte a aparecer completamente cheia. O vento estava frio. Eu andava pela praia devidamente embriagado de tanta birita. Faltava acender um baurets para eu terminar a noite de boa. Sem medo nem roupa, meti brasa e viajei com a maresia.

Continua na próxima semana

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Um comentário

  1. Enviado maio 9, 2010 em 8:45 pm | Link Permanente

    ADOREI AS IMAGENS


Um Trackback

  1. Por TAMBABA (parte III) - Últimos momentos « Catorze em outubro 25, 2008 às 3:27 pm

    [...] Parte 2 aqui [...]

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