
Por Juliana Dias
Naquela época, ver qualquer aglomeração com mais de cinco homens de terno só remetia a uma coisa: um grupo de pagode. E a suposição geralmente era certa.
Quase todo mês estourava um grupo diferente. Os nomes variavam. Na ala dos mais populares, Art Popular, Karametade, Molejão, Os Travessos, o Katinguelê e o Só Pra Contrariar, sendo o SPC o líder em trocadilhos e infamidades, a começar pela sigla.
As rádios não paravam de tocar os hits com as palavras ‘coração’, ‘amor’ e dores de cotovelo afins. Os ‘melhores’ [sic] programas do fim de semana, como Raul Gil, Gugu e Faustão, exibiam em seus palcos de auditório toda a coreografia cuidadosamente ensaiada dos garotos moreno jambo vindo das classes C, D, E e alguns outros moços disfarçados das classes A e B. A platéia, enlouquecida, cantava junto e repetia a coreografia repassada no espelho. Na rua, alguém cantarolava. Não havia como escapar.
Feeeebre. Coqueluche do momento. O que fosse. Top 10 não podia ser diferente. E sim, elas grudavam na cabeça. E foram do auge abaixo. Esgotamento? Encheção? Ou simplesmente novo estilo a ser seguido? Com o tempo, a moda musical mudou um pouco. Os anos foram passando, o movimento dos caras nos grandes palcos, improvisados no tamanho apenas para eles, perdeu espaço.
Os grupos foram ruindo, e os vocalistas principais, aqueles que se destacavam dos, no mínimo, outros catorze integrantes de cada banda, partiram para a carreira solo. Alguns apenas para a ‘carreira’, visto que aqueles cordões de ouro só podiam indicar algum ligação com o tráfico.

Vavá e Márcio. Ou Márcio e Vavá. Faz diferença?
Alguns grupos nem tiveram problema em substituir o vocal princiapal e continuaram a vender do mesmo jeito. O maior caso foi o do Karametade, onde o gêmeo do vocalista substituiu o irmão, e não fez diferença nenhuma, já que as menininhas do auditório gritavam do mesmo jeito, sem enxergar diferença entre… quais os nomes deles mesmo?
A segunda geração foi a dos ‘galãs solo’. Acompanhados de suas loiras, conviviam, até bem, com as antigas bandas. Todos apareciam na Mtv, e ainda ganhavam espaço reservado no VMB, aquela premiação anual da emissora. Foi criada até uma categoria especial só para videoclipes de pagode. Clipes, aliás, que valorizavam toda a beleza clássica desses pitéis da MMB — Música Massificada Brasileira. Haja máquina zero pra manter toda essa beleza dos cabelos raspados, ou gel para manter tantos cachinhos… e haja imagens estilo wallpaper do windows ao fundo dos videoclipes! Valia de tudo: desde penhasco com o cara cantando lá em cima até mãozinhas formando um coração.
Adolescentes, playboys e empregadas domésticas compartilhavam do mesmo gosto [sic³] musical. E, na união varonil no estilo, valia desde toca-fitas até cds e o radinho na cozinha.

Sambabaca está para o pagode assim como o Massacration está para o metal
Pagode nos anos 90. Você não saiu ileso. Ah, é? Tem certeza? Se eu começar a cantar ‘tou fazendo amor…’ ou lembrar do ‘liga pra mim, meu coração, vai te pegar’, aquela paródia do Casseta & Planeta, você vai cantarolar sem querer e, ainda por cima, a música vai ficar semanas ecoando em seu cérebro. Melhor nem começar, então. Deixa pra reviver o climão em algum momento de ócio de viagem em ônibus quando, com certeza, o clássico ‘a barata da vizinha’ vai ser cantado por aquele cara palha do banco de trás, e alguém vai usar algo com duplo sentido tipo ‘a paulada na barata dela’ seguidos de risinhos maliciosos do resto.
Tá, depois de tudo isso que você viveu, você pode ter saído afetado, você pode até não admitir pra si mesmo que gostava, pode até admitir que gostava e admitir ou não o passado negro… mas há de dar o braço a torcer que, tirando os cabelos tingidos e os óculos de camelô na cabeça, o pagode andava muito elegante…
Medo!
“…e ai Juliana o que vc vai fazer?”
Muito bom o trocadilho com a “carreia”…. hehehehe…
Muito bom. isso até concoda com uma teoria que eu matutava: de que todo Natalense (principalmente, mas não somente) Posuia alguma ligação com o pagode pelo menos num 2º grau. ou participou ou area amigo de algum pagodeiro kkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tô fazendo amor com 8 pessoas… ê!
Brincadeira de criança, como é bom, como é bom!
O melhor era o galã do MOLEJÃÃÃÃÃO!!!!!
E a “carreira” do Belo voltou a deslanchar. Tá cantando música gospel agora. Templo é dinheiro!
eu amooo vcs te paixao vcs é tudo pra mim
Vao toamr no cu seu bando de playboys hipocritas e preconceituosos, cantavam e dancavam e agora tao desdenhando, seus filhinhos de papai.
oi meus amores