A magia do imaginário

Por Ceci Oliveira

Há dias em que sua auto-estima não está lá muito alta, e facilmente você se sente um merda, só não se sente mais fracassado na vida, por que viver pelo menos você sabe.

Sempre quis ter uma banda e viajar mundo afora, mas nada sei tocar. Sempre quis ser atriz, mas nem o teatrinho com a mamãe funciona. Sempre quis ser bonita, ter aquele tipo de beleza que arrasa qualquer quarteirão, mas minha beleza clássica natalense só faz sucesso com os mendigos.

Eles simplesmente têm tudo isso que eu sempre quis ter. Tocam vários instrumentos, fazem teatro, e ainda são bonitos, o Grupo Galpão é assim, deixa alguém facilmente se sentindo um merda.

Não era nem 19h20 quando eu cheguei à Praça do Teatro Alberto Maranhão e a arquibancada já estava lotada. As cadeiras posicionadas diante o palco estavam devidamente assentadas, e ao chão, pernas cruzadas e olhos atentos esperavam ansiosamente o espetáculo que começaria às 20h.

O cenário era simples, um palco com uma sacada, uma cadeira, um caixão, afinal teatro de rua é assim mesmo, sem nenhuma superprodução cenográfica, e cenário antes de tudo, tem que ser funcional, e este claramente é.

Por trás do caixão eis que surge uma fumaça. Uma senhora adentra o cenário com uma tocha. Ouve-se um acordeão, sobe-se uma luz azul dando a impressão que é madrugada. A convite da Rainha do sonho, o dramaturgo francês, Moliére revive para refazer os passos que culminaram em sua morte.

Entre tirações de onda com a cidade de Natal, como por exemplo: parece que você veio das bandas de Felipe Camarão; o grupo discute o fazer teatro, o texto, a microfonia, a iluminação.

Mesclando humor e crítica, linguagem musical e o teatro de rua, o Grupo Galpão te arranca umas boas risadas, e numa dessas, você nem fica sentido por ter perdido a novela, e nem por sua bunda e sua coluna estarem doendo, afinal, de que importa a dor quando a fantasia nos conforta?

O Grupo Galpão é assim, um bando de galado que te faz se sentir um merda, te deixa com a coluna e a bunda doendo, e faz você ainda sair se acabando de rir, e contribuindo na cartola deles com o pouco dinheiro que lhe resta.

E aonde mais nossos sonhos podem ser representando que não no teatro?

O Grupo Galpão é o sonho aspirado em carne e osso.

Comente

Required fields are marked *

*
*

%d blogueiros gostam disto: