Não aprendi dizer adeus

Por Ceci Oliveira

E como prossegue a música: mas deixo você ir, sem lágrimas no olhar, parará, parará… Ahhh essa arte de dizer adeus… É uma arte que eu ainda estou para aprender, estou mesmo.

Por mais que seja difícil dizer adeus, há certos adeuses que a gente dá com gosto, tipo para aquelas pessoas que conseguem um lugar ao sol, além da cidade do sol, como o Zeca Santos.

Zeca é um daquelas figuras que você conhece do nada, numa daquelas baladas, onde graças ao álcool você fica mais sociável e acaba conhecendo Deus e o mundo, e depois, a cada encontro com uma dessas figuras, é sempre aquele auê.

Zeca é uma pessoa extremamente talentosa, é ator, produtor musical, produtor teatral, e ainda é advogado. Ele está indo pra Escócia fazer mestrado em produção musical, está indo não, já foi, porque o vôo estava marcado para as 20h45, então é já foi mesmo. E para se despedir dos amigos e companheiros de palco, de farra, e de vida, Zeca resolveu fazer um espetáculo, engraçado foi esse resolver dele.

Lá estava eu e um amigo meu num bar bebendo, quando do nada, chega o Zeca, e é todo aquele aué de sempre, isso era uma quinta-feira, na sexta, Zeca iria dar uma festa em Nalva Café Salão para se despedir, pergunto como estão os preparativos para a festa, e ele simplesmente me diz que não vai ter mais, porque ele descobriu que tinha um espetáculo pronto, e seria melhor não desperdiça-lo, sendo assim, a despedida seria no palco na quarta seguinte. Diante de uma dessas, você simplesmente diz: ahhh tá, legal, pode deixar que estarei por lá então.

Zeca simplesmente montou um espetáculo em quatro dias, o cenário foi feito em apenas vinte horas, a iluminação em cinco, e o resto do tempo foi para os ensaios e para os arranjos musicais. Sim, ele é louco, isso é fato, mas como ele mesmo diz: na própria palavra loucura, existe o termo cura, então eu também me curo ao exercer a minha loucura.

O espetáculo chamava-se: Daqui pra lá: Broadway? , e foi apresentado na última quarta-feira (24/09) lá na Casa da Ribeira. Zeca não convidou os amigos apenas para assisti-lo, como também para contracenar com ele. Chamou o Dudu Galvão para dançar e cantar, e duas amigas para cantar, além da drag queen Katreva de Kupuá para agitar.

Em meio à dança, ao canto, à atuação, o espetáculo debatia o espaço dedicado à cultura em Natal, o consumir cultura, o preconceito com os artistas, e o próprio fazer teatro, às vezes num tom mais sério, outras, mais debochado com a Katreva de Kupuá.

Do mágico de Oz, a Cantando na Chuva, passando por Grease, o espetáculo relembrou os grandes musicais, e também nos lembrou que “Life is a Cabaret”, old chum, e que pelas portas deste sallon, muitos entram e saem, que você Zeca Santos volte ao nosso cabaret que estará sempre de portas abertas para você. Boa sorte e boa viagem.

2 Comments

  1. Dré
    Posted outubro 17, 2008 at 6:56 pm | Permalink

    Eu estava lá com você. Conferi de perto esse auê.

  2. quelsouza
    Posted outubro 17, 2008 at 6:59 pm | Permalink

    Eu estava lá com você; conferi de perto todo esse auê.


Comente

Required fields are marked *

*
*

%d blogueiros gostam disto: