Antes que o diabo saiba, você está morto

Por Fábio Farias

No alto dos seus 84 anos, Sidney Lumet é um dos mais velhos cineastas hollywoodianos em atividade. Diretor de clássicos como “12 Homens e uma Sentença”, “Um Dia de Cão” e “O Veredicto”, Lumet em parceria com nada mais, nada menos que um dos melhores atores do cinema norte-americano atual, Phillip Seymour Hoffman, dirigiu o excelente “Antes que o diabo saiba, você está morto” que esteve em cartaz no Moviecom até a semana passada.

A trama dura 2 horas e conta a história de um roubo mal sucedido e as feridas que ele expõe na relação familiar de Hank Hanson (Hoffman), Andy Hanson (Ethan Hawke) e Charles Hanson (Albert Finney). Acontece que Hank, um executivo que sofre com problemas financeiros e com o casamento em crise, convence o irmão, Andy – igualmente falido – a assaltar a joalheria da família. O plano parecia perfeito, exceto pelo fato de que não esperavam que a mãe deles estaria na loja e que ela acabaria sendo assassinada. Indignado com o crime, Charles decide perseguir os assassinos – sem saber que são os próprios filhos.

Lumet constrói seus personagens com a segurança e a coerência de um diretor experiente. Usando e abusando de um formato narrativo não-linear e repetindo várias cenas sob a perspectiva dos três personagens, o longa se torna um quebra-cabeça tenso, frio e emocionante, onde o problema de Andy e Hank vai crescendo como uma bola de neve e expondo os problemas familiares, as disputas e as frustrações dos Hanson.

O filme ganha emoção com as atuações consistentes de Ethan Hawke, Phillip Seymour Hoffman e Albert Finney, e cenas muito bem dirigidas com uma força dramática espetacular. A contextualização do crime e a loucura que a ação dos irmãos promove nas suas vidas tiram o fôlego do espectador que se vê ansioso por um clímax difícil de prever.

Um filme para assistir mais de uma vez.

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