Complete o quadro

Por Juliana Dias
Fotos por Fábio Farias

É isso mesmo, está tudo por interpretar. Vê aqueles tracinhos ali, formando umas pessoas, quase um diálogo? Pronto, é gestalt pura. Tem uma dose de expressionismo também, pode ver? E se enxergar mais fundo, vai notar também uma influência de Vicente Vitoriano e alguns artistas daqui do RN.

“Corduras” é uma mistura da cordialidade humana com a dureza das cores. A exposição de Cláudio Damasceno, que começou ontem no NAC (Núcleo de Arte e Cultura da UFRN), mostra o cotidiano e os detalhes em uma perspectiva mais interpretativa da que estamos acostumados em ver.

Depois de amadurecer as idéias durante aproximadamente um ano, produziu-as manualmente em três meses. Para fazer a exposição, o Cláudio Damasceno se valeu de três chapas serigráficas das cores primárias (azul, vermelho e amarelo) e organizou os elementos geometricamente.

A idéia, por sinal, veio das cores. Só depois surgiu a visualização das imagens. Daí o grande peso da organização do azul, do vermelho e do amarelo — sobrepõe-se, associam-se e dissociam-se sem apagar-se, destacando-se entre si.

As linhas abertas e incitam sugestões em pontos que quase se tocam. Muitas vezes barras dispostas em uma obra, apenas por mudar de lugar, tornam-se outra obra completamente diferente. Uma casa com janelas pode reorganizar-se em um porto de navios, basta que se reaproveitem os elementos.

Em geral, acreditamos que com uma grande paleta de cores podemos chegar à realidade crua, ou que só com traços fidedignos e realistas podemos mostrar expressões.

Sobre isso, o artista justifica: “A arte não deve ser ligar apenas ao naturalismo e ao cru, deve mostrar outras visões da realidade”.

Na obra, alcança-se a representação cotidiana de uma forma oposta aos padrões que costumamos ver — a simplicidade da forma não implica no raso, mas na representação da riqueza do simples que existe alcance de quem vê, quem vive.

Cláudio Damasceno, que já trabalhou para as empresas de publicidade, declara que não trabalhar para a mídia e viver para o mundo específico da arte torna a liberdade criativa muito maior. Já a algum tempo que ele não faz trabalhos na área publicitária e se dedica só às artes. Hoje em dia, produz mosaicos de 5 a 12m para prédios, condomínios e áreas mais fechadas. Sua maior obra está em um muro nas Rocas, na Praça do Pôr-do-Sol. É um painel em homenagem aos ex-combatentes do exército. Lá encontra-se, também, uma obra em alusão à Saint-Exúpery.

Para ele, no RN pode-se viver de arte sim, pois não faltam trabalhos. “Com os projetos de arquitetura cada dia mais voltados para arte e bem-estar, sempre há uma construção nova para se produzir. O grande mercado é das classes A e B”.

Pois é. Para quem quer ver cordialidade e dureza, é só ir até o NAC até o dia 14 de novembro, das 8h às 17h, e conferir as 31 gravuras expostas.

(Quanto aos mosaicos… bem, arrume um ótimo condomínio e você terá uma obra de arte bem elaborada e acessível. Ok, brincadeira! É só passar ali na Praça do Pôr-do-Sol e você verá dois! Eu disse DOIS! É que, por enquanto, intervenção urbana, apesar de ser algo bastante apoiado por Cláudio, ainda não foi idealizado pela Prefeitura, então a arte ainda se esconde por trás de grandes muros.)

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2 Comments

  1. Fábio Iepsen
    Posted outubro 18, 2008 at 10:49 pm | Permalink

    A Ju é linda!!!!!

    heuaheuaehauheuahheuaheuah

  2. Posted outubro 19, 2008 at 8:21 am | Permalink

    Beleza de texto, beleza de imagens, entrevistas ok. E parem de me fazer vontade de abandonar São Paulo, pra conhecer o lado de vocês, por gentileza – eu sou muito impulsiva; é sério.

    Um beijo para cada catorze!


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