Daniel Galera: Amores Expressos

Por Ramon Ribeiro

Um mês com todas as despesas pagas em alguma cidade do planeta para criar uma história de amor ambientada no local enviado. Com esse objetivo o projeto Amores Expressos, lançado em abril de 2007, espalhou 17 escritores brasileiros da nova e antiga geração pelo mundo afora. Mais de um ano depois, algumas histórias enfim ganham corpo nas livrarias. O primeiro livro a ser lançado é “Cordilheira”, de Daniel Galera, no dia 27 deste mês, em São Paulo.

Galera teve a missão de ir a Buenos Aires e voltou com a história de Anita, uma jovem escritora brasileira tida como promessa de sua geração. A personagem tem dificuldades com seu relacionamento amoroso e como forma de dar um alívio em seus problemas, ela viaja para lançar a tradução do seu livro na capital argentina. Lá, Anita conhece um grupo de escritores locais com quem passa a ter uma estranha convivência, cuja vida real se confunde com a ficção.

Apesar dos poucos trechos do livro disponibilizados na internet, nota-se o estilo fluente, sensível, com pausas cuidadosas para as digressões, visto também em outras obras do autor, como em “Até o Dia em que o Cão Morreu” e “Mãos de Cavalo”. Galera também faz uso de ricas descrições de personagens e lugares, certas vezes partindo de detalhes para depois mostrar uma imagem geral. E é nesse aspecto que “Cordilheira” se revela interessante, pois apresenta uma Buenos Aires diferente do padrão, fugindo do perfil turístico. São nos cafés e nos bares que o autor prefere ambientar a narrativa feminina e mostrar de forma mais convincente o cotidiano em que Anita passa a se inserir.

Com custo total de R$ 1,2 milhão financiado com recursos privados (metade pago pela editora Companhia das Letras, que tem prioridade na publicação dos livros), o projeto Amores Expressos foi alvo de severas críticas no início. O idealizador do projeto, o produtor Rodrigo Teixeira, quis inscrever o Amores Expressos na Lei Rouanet, financiadora de projetos culturais com recursos públicos via renúncia fiscal, o que revoltou uma parcela da classe de jornalistas e críticos literários.

Alguns jornalistas disseram ser um investimento muito alto com dinheiro público para um mercado pouco consumido que é o de livros. Outros preferiram atacar a escolha dos escritores e as viagens, chegando-se a chamar a idéia de “farra entre amigos”. No fim das contas, Rodrigo Teixeira preferiu manter o projeto apenas com recursos privados, mostrando que nem tudo no cenário cultural para ser realizado tem que contar com dinheiro público.

O projeto envolve mais do que apenas os livros. Está em processo de edição uma série de documentários com os escritores. A série ainda está em negociação com algumas emissoras de TV que se mostraram interessadas. Até o fim do ano, as histórias contadas por Adriana Lisboa, que esteve em Paris, e André de Leones, em São Paulo, devem ser publicadas.

3 Comments

  1. Posted outubro 23, 2008 at 12:20 am | Permalink

    Depois de acompanhar o blog do Galera que nem aquelas tietes do NXZero, finalmente chegou a hora de ver a criança nascer. Aposto as bolas murchas do Di (só pra finalizar com a piada emo)como o livro é massa…

    ps: Aguardo o do Lourenço Mutarelli também.

  2. Posted outubro 23, 2008 at 4:32 pm | Permalink

    podes crê! Lourenço Mutarelli dete ter voltado de novaiorque com uma história tampa.

    outro que eu acho que fez um trabalho massa, pelo menos se ele seguir o ritmo de desenvolvimento literário dele, é o João Paulo Cuenca. Dô valor demais aos livros desse cara. Mas não tanto como dou valor ao Até o Dia em que o Cão Morreu e Dentes Guardados, do Galera.

  3. Posted outubro 24, 2008 at 2:38 am | Permalink

    Bah. Eu lembro desse projeto. Tipo, exato sonho de consumo da garota pseudo-moderna-pós-revolução industrial: um notebook na mochila e muita idéia (fora) da cabeça – plagiando e adaptando Glauber R.

    Afudê a matéria! Tão delícia quanto os amores expressos.


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