Em si

Por Cecília Oliveira

Para quem já leu Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino, e se deparou com a divulgação do espetáculo (SI)dades Invisíveis do Grupo de Dança da UFRN, logo pensou ser uma adaptação do texto do historiador italiano, ledo engano. O espetáculo pode até fazer uma analogia ao livro, mas não parte dele. Segundo Sávio de Luna, diretor artístico, o ponto de partida para a sua concepção foi o seu mestrado na UFRN em Corporeidade e Educação, onde aborda o expressar corporal de simples histórias de vida como forte elo de relação entre os homens e entre o próprio homem, que se transforma em conhecimento para o homem e para a sua sociedade.

O espetáculo desenvolvido durante seis meses é composto por quatro coreografias: “Quando as folhas caem…” “me renovo”, desenvolvida por Sávio de Luna, traz histórias de vida que estabelecem laços sociais, já “Solidões Desencontradas”, elaborada pelo dançarino Dudu Galvão, faz uma abordagem sobre a impessoalidade nas cidades modernas, onde o contato pessoal fica de lado e o isolamento é comum. Enquanto isso “(SI)dades Invisíveis”, criada por Sávio de Luna e pelo próprio elenco, explora as complexidades do homem, aspirações, incompreensões e histórias.


Para a realização desse projeto foram envolvidas cerca de 35 pessoas, incluindo elenco e toda a equipe de produção. À princípio, como contou Dudu Galvão, dançarino e coreógrafo, o espetáculo havia sido montado para exibição em agosto, mas só agora, a convite da Comissão Organizadora da Cientec duas datas foram marcadas, dias 21 e 23 de outubro, e posteriormente para os dias cinco e seis de dezembro, ainda sem definição de espaço.

O grande objetivo da sua exibição durante a Cientec era apresentar o Grupo de Dança ao grande público, e a boa divulgação fez com que o auditório da Escola de Música da UFRN ficasse lotado logo na primeira apresentação. O que, para o Dudu Galvão, é simplesmente emocionante, e valoriza bastante o trabalho. Para aqueles que se apresentam pela primeira vez com o grupo, a emoção é ainda maior, e ver essa emoção nos olhos daqueles que ainda têm muito a produzir, é simplesmente gratificante.

O espetáculo começa a galgar espaço fora do limiar do campus universitário e foi enviado para o BNB Nordeste, podendo, quem sabe, rodar o Nordeste dependendo do resultado da seletiva que será divulgada em novembro. O (SI)dades Invisíveis ainda será enviado a outros editais e por enquanto ocorre a formatação desse projeto aos termos dos editais.

O grande diferencial do (SI)dades Invisíveis é a convergência das artes, além da dança, temos a escultura, produzida em palco pelo artista Severino Bezerra, a fotografia, e o design gráfico. Para Teodora Alves, diretora geral, o espetáculo é uma apreciação cênica indispensável para quem, se sentido um pouco fora de si, quer entrar na dança, indispensável para quem quer entrar no mundo da arte.

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