Macacos me Mordam!

Por Vitor Azevedo

Não sou a pessoa mais adequada para falar de um filme sobre o Arctic Monkeys. Conheço pouca coisa da banda, umas 4 ou 5 músicas que todo mundo ouve na rádio, em trilhas sonoras de enlatado americano ou fazendo fundo em matéria do Fantástico. Mesmo assim, juntei as moedinhas e corri pra ver “Arctic Monkeys at The Apollo”, meio desconfiado pelo burburinho que vem causando “a banda inglesa mais surpreendente dos últimos tempos”, como consta no site do filme. Lançado no dia 14 de outubro em cinemas da Inglaterra, Bélgica, Luxemburgo e Espanha, o filme só agora chega ao Brasil, onde foi projetado simultaneamente em 19 cidades, e em salas da Alemanha, Holanda e Japão. Exibição única. Uma estratégia de marketing e tanto para o lançamento do DVD que chega às lojas dia 3 de novembro.

Logo ao entrar na sala, uma surpresa, lotação quase completa. Gente sentada até nas escadarias. “Natal tem tanto indie assim ou será que When The Sun Goes Down tá no top 10 da 96 FM?”, surgiu a dúvida. Resolvi garantir uma das poucas poltronas vagas ao invés de fazer graça com estereótipos. Segunda fila. Escolha: ou lê as legendas ou presta atenção na banda. De pescoço duro, tentei acompanhar todos os detalhes que pude.

O filme já começa levando a audiência a balançar o pezinho com Brianstorm e uma sequência de hits executados impecavelmente. Aqueles 4 ou 5 de que falei a pouco, além de canções do primeiro disco e alguns lados b. O vocalista Alex Turner, em evidência, provoca o público com piadinhas toscas e empolga todo mundo com suas composições verborrágicas e dedos em brasa. A performance visceral e intensa da banda contagia os espectadores do cinema. Foi bonito de ver o coro que se formou em canções como Teddy Picker, Dancing Shoes e Fluorescent Adolescent. Palmas ora marcando o ritmo, ora ovacionando o grupo fenômeno davam a impressão que a banda realmente se materializava ali na frente, a poucos metros, em carne, osso e cabelos propositadamente assanhados. Era o cinema “matando” um show. “O” show, para muitos fãs.

Capturado em 16mm, Arctic Monkeys at The Apollo traz o último show da turnê mundial “Favourite Worst Nightmare”, realizado em 17 de dezembro do ano passado no Manchester Apollo(Inglaterra). Richard Ayoade, que também assina a direção do clipe de Fluorescent Adolescent, mostra uma banda totalmente à vontade no palco, enfatizando a energia performática dos rapazes. A fotografia, assinada por Danny Cohen, e a edição, coordenando as imagens à velocidade das músicas, também são um espetáculo à parte. Dá até uma certa frustração por ter que assistir àquilo tudo sentado e sem a cervejinha de praxe. Só o som da sala de exibição que deixou um pouco a desejar. Saí do cinema com o pescoço doendo, assoviando um riff, a procura do bar mais próximo.

Durante os 76 minutos de projeção, os Macacos do Ártico provam porque são uma das bandas atuais de maior prestígio e que o tal do “hype” não está de todo equivocado. Só senti falta de cenas de bastidores, conversas com os malucos da banda e toda aquela encheção de lingüiça que deve vir nos extras do DVD. Mas nada que comprometesse a sensação de ingresso pago. O filme-concerto é deveras bom e não deixa de ser um pretexto e tanto pra puxar papo com aquela sua colega gostosa que conhece todas as bandas de rock da Suécia. É provavelmente o “mais novo indiscutível clássico da música/cinema indie” para os fãs, com direito a exagero na adjetivação. E é só.

2 Comments

  1. Ju
    Posted outubro 31, 2008 at 11:48 am | Permalink

    Pô, deve ter sido legal (:
    A sensação que vc expôs parece um bocado com a de uma resenha que vi sobre um show do The Killers.

    Arctic, em si, é bem legal. Agita, faz parte das festas, tem tudo a ver com bebida e cabelos desgrenhados. O que lasca é essa aura de ‘salvadores do rock’ e o ‘espírito tiete palha’, que insistem em atribuir.

  2. Jean
    Posted novembro 1, 2008 at 12:58 am | Permalink

    Ótimo site… ótima resenha! Há vida jovem, criativa e inteligente em terras ciberpotiguares, enfim!!!
    Parabéns a todos!


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