Primeira Noite – Festival DoSol 2008

Fotos e texto: Fábio Farias

Gostosa. Isso resume a vocalist… ops, a primeira noite do Festival DoSol 2008. Foram mais de oito horas de rock, com pelo menos umas 1500 pessoas entre o Armazém Hall e o DoSol para curtir as 14 bandas que passaram pela Ribeira. Uma bela noite. E a organização deste ano está de parabéns: palcos bem montados, som redondinhos, uma iluminação bem feita e bandas bem escolhidas.

É bonito ver o crescimento dos festivais de música locais e da própria cena interna, numa cidade que respira swingueira e forró. O MADA provou isso este ano com três noites bem organizadas, investindo na melhoria dos palcos, em um som de qualidade, apesar da fraqueza na seleção das bandas. O DoSol consolida essa idéia e montou um primeiro dia de dar inveja, provando a evolução do bar e o talento de Anderson Foca como produtor.

A tarde começou com os meninos do Rock Rovers dentro do DoSol RockBar. Eles entraram no palco para mostrar à meia dúzia de gatos pingados o seu “punk rock bublegum”. As músicas são boazinhas, mas ainda falta de maturidade para o power trio, eles parecem amigos de colégio que se reuniram ontem e começaram uma banda, apesar de declararem 3 anos de existência. Estavam um pouco nervosos, desentrosados também.

Fewel estreou o belo palco montado no Armazem Hall. Com pouco mais de meia dúzia dos gatos pingados, os garotos mostraram um rock melódico, muito bem executado com um instrumental foda. Eles têm talento, só ainda recaem no mesmo problema do Rock Rovers e da grande maioria das bandas daqui, falta presença de palco e as letras ainda são muito bonitinhas. Natal precisa de uma banda de rock com letras sujas.

É comum ouvir da boca dos produtores natalenses que as bandas daqui não investem nelas mesmas. O Lunares é uma exceção a regra. Para onde vão, levam seu kit com release e EP para distribuir a jornalistas, vão para festivais de música fora de Natal e se esforçam sempre para fazer apresentações muito boas. E as fazem. Não falta talento ao quarteto com influências de U2, Coldplay e suas belas melodias autorais. Fizeram a primeira grande apresentação da noite. Com o som nos trinques, eles mostraram ao público as músicas do “Dance, dance, dance”, com direito ao performático vocalista Rodrigo e a polêmica valsa com sua guitarra, que é um deleite para os fotógrafos e divide a opinião do público. Gostando ou não da valsa, é uma bela iniciativa, algo diferente numa cidade acostumada ao arroz e feijão das bandas de rock.

Os comentários mais freqüentes quanto à apresentação do Rosa de Pedra, é que eles ficariam deslocados. Música com influências regionais num festival de rock; isso é arriscado e ousado, tanto por parte do grupo, quanto da produção. Melhor corrigir. Seria arriscado se a banda não fosse tão competente no palco e as músicas não fossem tão boas. Rosa de Pedra manteve o alto nível deixado pelo Lunares, apesar de uma microfonia que deu quando as meninas abriram o show com “Arado” de Zila Mamede. Uma presença de palco muito boa, músicas regionais que não deixam de lado uma influência do bom rock e uma vocalista que conquistou corações masculinos.

Apesar da organização acima da média deste ano, houve sim alguns problemas. Atrasos nos shows fizeram com que os paraibanos do Star 61 começassem quando nem Rosa de Pedra tinha terminado. Mas a frustração de perder o início durou pouco. Músicas engraçadas, som dançante, um vocalista maluco e sua cabeleira vermelha. Foi um dos melhores shows da noite. Flaviano André é o frontman, o cara é uma cruza de David Bowie com a Lacraia, vestido com o glamour de uma roupa coladinha de lantejoulas, ele desceu do palco, dançou com a galera, ficou semi-nu e se divertiu com os gritos de “tira, tira, tira”. Teve até “conga La conga”.

Camarones Orquestra Guitarrística é daquelas bandas que fazem você se apaixonar a primeira ouvida. Som puramente instrumental, muito bem executado, criativo e que faz releituras de clássicos como “Spider-Man” ou a música dos “flintstones”. O resultado disso é tão bom que tanto o show, quanto o EP, são excelentes. Vale ressaltar também a evolução do grupo, esse show no DoSol saiu mais redondinho, com uma presença de palco mais legal do que os outros. Eles caminham com certeza para um futuro bem promissor.

Quem teve um grande ano e conquistou tudo o que a maioria das bandas daqui almeja em tempo recorde foi o Barbiekill. Eles tocaram no carnaval de Recife, no Abril Pro Rock, no MADA, a música “Chiclete” estourou e quase todo mundo sabe de cor. Competência e bom humor não faltaram ao grupo para chegar nesse ápice. O show provou isso e mostrou o quanto de fãs que a banda conseguiu, praticamente do ano passado para cá. Muita gente cantava e dançava junto ao vocalista-performer Daniel Podicrê e da boa apresentação. Agora eles precisam pensar mais alto, lançar um CD, fazer uma turnê em outros Estados. Talento eles têm de sobra.

O The Sinks subiu ao palco do Armazem Hall para começar a botar fogo naquele negócio. Com seu rock bem executado, eles começaram o incêndio que ia dominar o palco com as apresentações de MQN e Forgotten Boys, marcadas para algumas horas depois. O destaque principal do show foi Chuck, que subiu no palco, tocou e cantou “little girl” junto com a galera.

Mas antes do incêndio tocou Macaco Bong, com a tarefa de substituir os paranaenses do Terminal Guadalupe. Foi que nem técnico que coloca um jogador num jogo e ele faz logo três e decide a partida. Macaco Bong é do caralho. Não há definição melhor para o som dos matogrossenses que fizeram a melhor apresentação da noite. Um instrumental que bebe de influências do Jazz, do rock, do samba executado por músicos de alta qualidade. Deu muito gosto de ver.

MQN trouxe o incêndio anunciado. Instigados pelo vocalista Fabrício Nobre e por um público ensandecido, eles mostraram um rock pesado, com boas influências de Stooges, AC/DC, Mudhoney. Rock goiano de primeira qualidade. Para continuar o início de incêndio, o AMP e suas guitarras poderosas provaram porque hoje são considerados uma das melhores bandas de Recife. Músicas muito bem compostas, com a força de duas guitarras e influências que vão do rockabilly ao punk rock. E um show com som perfeito. Banda que merece o selo de qualidade “Do Caralho”.

A noite pegou fogo mesmo quando o Forgotten Boys subiu no palco. Gritos femininos de “pega eu Chuck” ecoavam pelo galpão antes deles começarem a tocar os clássicos como “Just Done”, ou “5 mentiras” do incrível “Stand By the D.A.N.C.E”. O show foi destruidor. Apesar de ser o mesmo que eles vêm fazendo na turnê. O pessoal também mostrou algumas (boas) músicas novas do novo trabalho do grupo, o EP Louva a Deus.

Black Drawing Chalks, também de Goiás tocou logo depois do Forgotten. O pessoal fez um bom show para um DoSol esvaziado, a essa altura o público estava no Armazém esperando o The Donnas. Uma pena. Eles mostraram o quanto o rock do centro-oeste anda trazendo boas revelações para a música independente brasileira.

As americanas do The Donnas entraram animadas para fazer um show competente com um público que sabia a maior parte das letras decoradas. A vocalista, Brett Anderson, ensaiou um “mucho obrigado” depois da calorosa recepção do público, dançou, se esbaldou e se divertiu. É uma bela frontgirl (nos dois sentidos). Destaque para os gritos de gostosa tanto para a vocalista, quanto para a baterista da banda.

One Comment

  1. Denise
    Posted novembro 5, 2008 at 1:15 pm | Permalink

    .
    Consigo nem comentar o primeiro dia, de tão foda e lindo que foi!
    É o ROCK!
    =D
    Valeu!
    .


Comente

Required fields are marked *

*
*

%d blogueiros gostam disto: