Festival DoSol – Segunda Noite

torture squadFotos e Texto por Fábio Farias

O público que ouve rock é multifacetado. É uma característica interessante. Existem platéias completamente distintas para cada variação do estilo musical. É diferente da pessoa que gosta de forró, ou de pagode. Para eles, tanto faz a banda ou a forma com que os músicos a encaram, o que importa é a base que puxa a dança. No rock não, quem ouve punk, odeia metal, o indie acha todo mundo mainstream, menos ele, e o emo… Bem, o emo é fã da dor de cotovelo.

Isso é uma merda para quem vive de produção cultural de rock. Porque se você mesclar as bandas, é capaz do produtor perder tanto o público que iria para ver a banda indie, quanto o que iria para bater cabeça na banda de metal. Há uma espécie de discriminação ritímica. Pro indie, só o que é desconhecido e experimental presta, pro metaleiro tem que ter aqueles riffs de guitarra e de bateria. E ambos se odeiam e saem perdendo nisso tudo.

A partir dessa idéia, o DoSol montou dois dias com programações bem distintas. Enquanto o sábado foi das bandas como Forgotten Boys, The Donnas, ou Macaco Bong, o domingo foi para bater a cabeça e polgar ao som de Torture Squad, Expose Your Hate e Mukeka di Rato. Bandas que para quem é fã de Metal ou Hardcore, foram muito bem recebidas e, para quem não é fã e nunca viu o show, surpreendeu bastante.

Não sei se há uma curadoria específica para escolher as bandas que tocam no festival, ou se a própria movimentação do bar faça com que haja essa seleção. Mas é fato que nessa quesito o DoSol acerta. A começar por Brand New Hate, rapaziada nova, talentosa, com um som visceral e um vocalista maluco no palco. O primeiro show que a equipe do Catorze viu na sombria noite de finados. Uma apresentação redonda, forte e que não decepcionou as poucas pessoas que viram.

Para não ser injusto com as bandas que tocaram antes, colhemos alguns comentários do público quanto a elas. Gandhi tocou para pouca gente. O mais freqüente quanto ao AK-47 era que o vocalista, João, deveria tocar de costas para as meninas secarem os atributos físicos do rapaz. Pouca gente viu Plastic Noir. Uma pena. Para muita gente foi uma boa descoberta, vale a pena sacar o My Space deles.

Voltando a ordem das bandas, o Distro tocou no DoSol depois do Brand New Hate mandar muito bem no Armazém. A banda já é bem conhecida da cena potiguar, pelo seu som melódico e forte. Pouca gente acompanhou o quarteto e o show que eles fizeram foi bom, com exceção do vocalista que teima em desafinar muito. Destaque positivo para o guitarrista Vinicius Menna que, enquanto a banda estava tocando, a corda da guitarra torou, ele colocou ela no meio da música e conseguiu voltar antes dela terminar, foi bonito.

Calistoga é outra velha conhecida da cena potiguar. É uma boa banda que talvez estivedeslocada nesse dia de metal e hard core. O som deles está mais para um rock’n’roll com uma pegada mais pesada, do que um som pesado em si. Tocaram bem e empolgaram tanto o público que abriu uma roda de polga violenta no meio, resultado: briga e show interrompido para os membros da banda pedirem que pegassem leve. “Nosso som é pra sacar!, disseram.

A pernambucada River Raid é outra que merece o selo de qualidade Do Caralho. Com uma guitarra destruidora, um vocal muito bom e elogios rasgados do Kid Vinil do seu último CD, a banda é provavelmente outro belo fruto vindo das fétidas terras de Recife. E o show no DoSol fez muita gente parar o que estava fazendo para sentir aquele som.

O dia era de vestir preto. Entre Blind Guardians, Ozzy Osbournes, Baphomets e até Avril Lavigne (acredite, tinha gente com a camisa da canadense por lá), um nome local dominava entre os cabeludos de preto do metal. É o Expose Your Hate. Banda clássica natalense, com quase 10 anos de estrada e muitos fãs na cidade. Um misto de Death Metal com Grind Core e outras arrotadas no microfone, com a clara intenção de fazer um som violento e pesado. O show detonou e abriu a roda de polga mais violenta que eu vi em toda a minha vida. Sobrou até pro lixo que colocaram no Armazem Hall. Impressionante.

Entre as arrota.. ops o som pesado de Expose Your Hate e Torture Squad, Venus Volt veio para acalmar o ânimo da galera e fazer o pessoal babar a bela vocalista Trinity. Banda paulista, “som de meninas” com influência da musica oitentista e noventista eles fizeram um show que, ao menos, serviu para acalmar o pescoço e a cabeleira dos metaleiros que assitiram.

Antes mesmo de Venus Volts acabar, o público from hell já se reunia dentro do Armazem Hall para ver o show de uma das melhores bandas do metal underground brasileiro. Vindos de São Paulo, com um vocalista que tem uma energia do caralho e num Armazem Hall absolutamente lotado, o Torture Squad fiz um show foda, que colocou até que não curtia metal para bater cabeça, tamanha a intensidade do instrumental dos caras. Aliás, era difícil encontrar alguém que não balançava a cabeça junto com os membros da banda. Competência é que não falta para eles que já tocaram na Alemanha neste ano e estão com turnê pela Europa marcada para o início do ano que vem. Um belo acerto da produção.

Vindos diretamente das terras quentes de Mossoró e com o CD distribuído por seis selos diferentes, Catarrö abriu a seção hardcore com suas escarradas vocais no palco. A banda é uma das revelações do Estado e fazem por merecer. Show muito bom, com direito a sambinhas em cima do palco e ao concurso dedo no cu vencido por um dos fãs que dançava em cima do palco.

Para fechar a noite de finados no DoSol, a velha de guerra Mukeka Di Rato, subiu ao palco do Armazem para um show incrível, mesmo com o desfalque do vocalista Sandro. Os capixabas e suas letras sujas tem uma legião de fãs do “fast-grind-power-violence-punk-dub-core da favela (sic)” que tocam. O show inspirou outra roda de polga violenta e tentativas malucas de pessoas bêbadas que subiram na caixa de som, deixando a produção louca. Mas foi bem interessante.

Breve Galeria de Fotos

3 Comments

  1. Denise
    Posted novembro 5, 2008 at 1:12 pm | Permalink

    .
    Fábio, desde a primeira edição o domingo do Festival é mais pesado mesmo, propositalmente. Mesmo com essas outras nuances do rock que não batem cabeça. As três primeiras apresentações foram muito boas, e o público que assistiu, ainda que tímido, gostou muito! Plastique Noir foi uma grata surpresa pra mim, que não conhecia e foi achei muito bom!
    O que você e todos que assistiram aos shows puderam perceber é que o nível das bandas locais em nada deixam a desejar com as de fora, como muitos ainda pensam. O lance do DoSol é esse: formar o público local, dar força para que as bandas locais melhorem sempre e possam entoar seus acordes RN a fora.
    O duro de trabalhar no evento é não poder participar de todas as rodas [afinal, integridade física é importante], e ohe que ao final dos dias [que para mim não foram só os 2], encarar a roda do Mukeka por 1 minuto já foi de bom tamanho, hehehe
    Obrigada pela presença e desculpa se não consegui dar a atenção merecida! Dias 12 e 13 tem mais!
    =D
    .

  2. Posted novembro 6, 2008 at 2:58 pm | Permalink

    Eu assisti a Venus Volts tocar aqui em João Pessoa/PB e adorei! Só não entendi por qual razão a classificou como sendo som de meninas. (risos) Explica isso.

    Abraços.

  3. Juliana
    Posted novembro 6, 2008 at 5:23 pm | Permalink

    Foi massa mesmo! Melhor do que eu imaginava, pra quem não cuuuurte metxal do mal.

    \o\


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