Insônia em excelente hora

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Por Ceci Oliveira

Madrugada insone. São 1:30 da manhã e não tenho um pingo de sono. Quem sabe um pouco de televisão me faça bem? Talvez a programação fatigante possa despertar a vontade de dormir em mim… Mas não. Até teria despertado se eu não tivesse me deparado com o filme-documentário Timor Lorosae – O massacre que o mundo não viu de 2001, dirigido por Lucélia Santos, a eterna Escrava Isaura.

O filme-documentário exibido pelo canal cinebrasiltv conta a história recente do Timor Leste, ex-colônia portuguesa na Ásia, um dos países mais jovens do mundo. Agora o Catorze leva você ao lugar onde o sol nasce, mas o brilho do nascer do sol ou o brilho do Festival DoSol ainda está longe de reinar.

Durante 25 anos Timor foi terrivelmente massacrada, e cerca de um terço da população local foi morta. Dados como esse, seguidos de imagens do arquivo da RTP (Rádio e Televisão de Portugal) e do documentarista Max Stahl causam revolta, aflição, e desejo de revolução durante 75 minutos. Imagine então o sofrimento desse povo durante 25 anos, imagine só!

O roteiro, produzido por Pedro Henrique Neschling e Lucélia Santos, conta o drama do povo timorense. Durante toda sua história, seja na ocupação ocasionada por Portugal ou pela Indonésia, essa população nunca recebeu a devida atenção da comunidade internacional.

Em 2000 o território finalmente tornou-se independente, e a imprensa pôde novamente pisar lá. Foi só assim que Lucélia Santos e sua equipe puderam registrar durante um mês a construção dessa nova realidade – desse novo país que é, agora, a República Democrática de Timor-Leste.

O documentário traz relatos de pais, mães, padres, e militantes da Resistência Timorense, sobreviventes de uma grande chacina que só se compara ao Holocausto, visto que, crianças foram esfaqueadas, mulheres mutiladas, militantes esquartejados, resultado de um treinamento extremamente violento das milícias integralistas da Indonésia aliado ao uso de anfetaminas pelos militares que os deixava ainda mais violentos .

O tema do documentário continua atual – Timor ainda luta pela paz e construção de uma verdadeira democracia. Ontem mesmo grupos de artes marciais construíram a Casa da Juventude, uma organização não-governamental com a ambição de reconciliar os jovens e transformá-los em agentes de paz.

Então deixe seu sentimento de revolta despertar sua consciência em ações! Nós também podemos ajudar a construir a paz em Timor com o envio de livros para o Grupo Amigos do Livro da Comissão de Cooperação Internacional da USP, que os encaminham para as bibliotecas de Timor-Leste. Para saber como ajudar basta enviar um e-mail para Ruy Jobim Neto no amigosdolivro@bol.com.br que ele explica como faz.

Ajudar vale a pena. Impotência só ocorre se você quiser.
O Catorze apóia essa idéia!

5 Comments

  1. Luiz Carlos Guimarães
    Posted novembro 4, 2008 at 10:58 am | Permalink

    Esse documentário deve ser realmente bem interessante para conhecermos um pouco desse país tão distante onde se fala a nossa língua.
    Só uma ressalva no seu texto. Lucélia Santos não é a eterna Chica da Silva e sim a Escrava Isaura. Chica da Silva foi vivida no cinema por Zezé Mota.
    Um grande abraço.

  2. jooleeana
    Posted novembro 4, 2008 at 3:11 pm | Permalink

    corrigido, luiz!
    muito obrigada.

  3. Posted novembro 5, 2008 at 1:29 am | Permalink

    Invejei a madrugada e a insônia.

  4. Posted novembro 5, 2008 at 12:35 pm | Permalink

    Gostei pra caramba do blog, é uma boa idéia e mesmo conferindo apenas as postagens mais recentes curti muito o trabalho de vocês.

    Parabéns, tô adicionando o link de vocês no meu blog.

    Abração

  5. Posted novembro 5, 2008 at 12:36 pm | Permalink

    Só pra constar o blog é:

    http://www.pequenosfinais.blogspot.com


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