O chorinho dessa sex… Ops, o segundo dia do ENE

 

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Por Fábio Farias 

Pouca gente agüentou, juro. Quando deu por volta das 20h a cambada migrou quase por completa para o bar do chorinho, logo ali, numa rua próxima e a sexta-feira do III Encontro Natalense de Escritores ficou esvaziada. Os que ficaram tiveram que aturar uma mesa com Carlos Heitor Cony e Tarcísio Gurgel sobre o tema “O Nordeste e a Literatura Brasileira”.

Nada contra os intelectuais. Tudo contra o tema da mesa. Tá, ta certo, existe toda aquela história bairrista bem Ariano Suassuna de que devemos valorizar a cultura popular e a literatura nordestina. Concordo absolutamente, excluindo o fundamentalismo de Suassuna. Mas e aí, “O Nordeste e a Literatura Brasileira” é um tema quase tão extenso quanto milhares de kilometros do litoral potiguar.

Podia-se tratar aí os grandes nomes da literatura que nasceram sob o quente sol nordestino, dava para falar também de como o nordeste brasileiro é figurado na literatura brasileira, a importância da região na literatura e blá, blá blá. Um monte de coisas chatas e extensamente discutidas por aqui. Por que não falar sobre a nova literatura no nordeste? Os autores contemporâneos que nascem aqui, a produção literária atual?

Sobre produção literária atual, faço uma digressão: algo que quero frisar dentro da realidade natalense. A grande maioria dos livros editados e publicados aqui são ruins. Com exceção das obras dos Jovens Escribas que tentam fazer algo novo e de um ou outro livro perdido no Sebo Vermelho. Há um envelhecimento nos autores e na visão deles. Muita gente aqui parou em 1930, escreve como se o milênio ainda não tivesse virado e ostenta uma pompa invejável. Isso daria um bom tema para discussão.

Voltando ao ENE. Ressalto aqui um dos principais problemas do evento deste ano: falta foco no tema das mesas, o que faz faltar foco nas discussões e falta ATUALIDADE no que é discutido. Se querem fazer do Encontro Natalense de Escritores uma espécie de Flip nordestina, como muito se fala por aqui, o pessoal tem começar a levantar a bunda da cadeira e pesquisar autores novos e bons, temas para tratarem, oficinas para ministrar no ENE e concursos literários para estimular a produção. E, pelo amor de Deus, estipular tempo para os convidados falarem e orientar o mediador para não deixá-los fugir do assunto tratado.

Mais cedo, antes da enfadonha mesa com Cony, teve uma sobre Jornalismo Literário com João Gabriel de Lima, Homero Fonseca, Moacir Amâncio e Alex de Souza como mediador. O tema interessantíssimo, apesar de ainda sim muito aberto. Os catorzianos todos lá, na primeira fila, esperando o que vinha. O que aconteceu: Homero dominou a mesa, falou muito e Jornalismo Literário que é bom, nada. Resultado, galera dormiu. Só quando abriram para perguntas que o tema foi tratado.

Fora isso a programação cultural deixou muito a desejar. Tudo bem, precisa de cacife para trazer Cordel para Natal, mas o que custava fazer um show com a Khristal e o Canteiro do Samba no final do segundo dia? Existe uma série de bons artistas populares aqui em Natal que poderiam ter sido convidados. Tudo bem, a banda sinfônica é legal, mas não era para ocasião. O resultado disso tudo foi um segundo dia do ENE com o chorinho lotado e as mesas esvaziadas.

3 Comments

  1. Posted dezembro 1, 2008 at 4:59 pm | Permalink

    Carissimo Fábio Farias, sua discrição do evento ofi simplesmente a reflexão da realidade.

    O segundo dia perdeu muito em não poder contar com uma banda ou um artista de peso, (não que a banda sinfonica não seja boa), mas a verdade é a seguinte, a banda sinfonica jamais vai “segurar” gente aqui em Natal.

    Bandas como: Seu Zé, Carbono 14 o Isaque Galvão ou a Kristal poderiam ter dado o “tom” no segundo dia.

    Mas é isso ai, parabéns pela cobertura, e continuem deste jeito que você só tem a ganhar.

    Abração.

  2. Amanda Balbi
    Posted dezembro 1, 2008 at 5:52 pm | Permalink

    Fabio, as vezes vc é tão cruel.

  3. Allan Talma
    Posted dezembro 2, 2008 at 1:56 am | Permalink

    Cara, achei muito bom ter lido essa crítica a respeito do ENE, já que não recebi o menor incentivo pra participar do evento pelo evento.
    A programação exigiu uma caça ao tesouro e, mesmo assim não tive paciência suficiente pra sacá-la toda…enquanto isso na boca do povo o evento era “o show do Arnaldo Antunes”…obviamente não me instiguei pra assistir debate nenhum.
    Achei um super vacilo essa falta de atenção com quem não vive pra isso e nem por isso, porém que poderia ter algum interesse além de só ver o show.


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