Entre cabeludos e descabelados – Parte II

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Por Juliana Dias

Continuando nossa vista pelos lançamentos de heavy/hard desse ano (primeira parte aqui), temos o dvd do Iron e, finalmente e o Kiss em estúdio, direto da linha dos dinossauros que saíram da geladeira depois de anos, e da volta dos que nunca foram de verdade. (Se você esperou 17 anos pelo Chinese Democracy, e tenho certeza que vai esperar até o meio do post pra poder saber um pouco mais dele, HAHAHA)

Pois é. Tá nas bancas as cenas ao vivo de um dos mais importantes do metal. Todo metaleiro já escutou Iron. É básico, essencial. E o dvd é uma videografia básica do básico que mostra o essencial através grandes sucessos (ahn?). É uma dose cavalar de noção das dezenas de anos na estrada. O DVD  Live After Death, lançado esse ano, mostra o verdadeiro feeling e força das músicas ao vivo. Além disso, é uma edição imperdível para colecionador, daqueles que possuem todos os cds da banda e faz da prateleira de cds uma coleção de álbuns, de pé, um do lado do outro, formando a cara do monstro símbolo da banda, o Eddie. Ponto pro Iron. Sucesso e mais turnês, se elas vão fazer dvds como esse, que realmente emocionam quem vê.

É. As coisas mudam, Axl.

Chinese Democracy: as muitas promessas do Axl tornam um álbum uma lenda. Mas, quando lançado, tira do Guns uma grande arma de perspectiva.

Além da manutenção da qualidade, os álbuns saíram bons por terem conseguido manter a força e surpreendido sem fugir do tradicional. Mas, também, um dos motivos cruciais do sucesso desses lançamentos de 2008 foi nenhum deles ter agido igual ao Guns’n’Roses, que prometeu o cd ‘novo’ Chinese Democracy e só lançou-o 17 anos depois. Anunciar com alguns anos de antecedência provoca expectativas boas, faz todo mundo ir atrás. Mas existe um ponto para a massa não queimar, e em Chinese Democracy esse ponto passou, e muito. Os anúncios se transformaram em descrédito e, quem foi lá ver, não achou grande coisa.

O álbum mostra a força perdida na banda durante os anos fora da atividade. As músicas, com algumas batidinhas mais leves, a voz do Axl menos energética, e a falta daquela rebeldia usual que eles tinham nos faz duvidar se o álbum veio dos mesmos criadores dos clássicos “Welcome to the jungle” e “November Rain”.

Escutar a Democracia Chinesa cansa tanto quanto os anos de espera. As interferências eletrônicas em  “There was a Time” não colam. E o problema é o marasmo, durante todo o cd, além de sinais da perda da força do hard rock que eles tinham. Em “Shackler’s Revenge”, o voz do Axl tá completamente distorcida. Só se vai reconhecê-la por fim em “Better” e “Street of Dream”.

Quanto ao CD, as reações foram mornas. O máximo que veio do Slash, antigo integrante, foi uma declaração de que “soa bem. É bom ouvir a voz do Axl, sabes?”, o que não é necessariamente um elogio. Daí, já saca-se: se fosse bom mesmo, rolava uma declaração de “bati cabeça” ou relacionada ao espírito rock’n’roll. Chinese Democracy é muito mais para quem quer reviver do que escutar e entrar no espírito da banda.

O mais engraçado é que, depois de todo esse auê de promessa do álbum que virou uma das lendas do rock, o disco do Guns acabou sendo o mais fraquinho de todos os retornos das grandes bandas. Prova de que o rock vem das voltas inesperadas e da esperada da rebeldia!

manter o ritmo e o espirito rock'n'roll all night da banda.

Com maquiagem ou sem maquiagem, a responsabilidade é a mesma: manter o ritmo e o espírito rock'n'roll all night do Kiss.

Então, façamos um apelo público: Kiss, por favor, não nos faça esquecer quem vocês são no próximo cd. Please, remember the rock’n’roll radio! Senhor produtor Paul Stanley, olha lá, hein… as gravações já rumam em estúdio. O álbum irá contar com as músicas inéditas gravadas em 1998 e, principalmente, será uma necessidade surgida para incrementar os shows, compostos de antigos sucessos. Com maquiagem ou sem maquiagem, as expectativas de um bom álbum estão aí.

(E se você nem sabe pq leu esse post, não se preocupe. Fica a sugestão de cantarolar “Bondallica” do Bonde do Rolê.

Afinal “metaleiro fecha o cu se tem funkeiro pela área”. Ou não.)

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