Novo Catorze

Por Fábio FariasCatorzianos

Há em todo o momento a vontade de crescer. Desde pequenos, quando observamos nossas pernas curtas, nossas mãos ainda pequenas, nossos braços que mal alcançam o mundo queremos atingir a altura de um adulto, a altivez, a força que eles tanto nos demonstram, quando ainda somos ínfimos pirralhos.

O tempo é um dos fatores que regula o crescimento. Ele faz com que exista uma série de combinações físico-químicas que fazem nossas pernas, de repente, não serem mais tão nanicas. E aí, percebemos que o mundo que exergávamos quando criança, não era tão grande. Na verdade, o mundo não passa de uma minúscula esfera sob a perspectiva da confiança e da alegria que temos quando, finalmente, nossos braços já não são mais curtos. O momento é este, auto-confiança juvenil.

Os mais velhos tendem sempre, com asco e uma pontada de inveja, a negar nos o mundo. Eles dizem que somos muito jovens, que ainda pouco entendemos, que devemos trabalhar porque o ofício nos dignifica, que devemos ganhar dinheiro porque todo crescimento vem com responsabilidade. Precisamos gerar lucros, suprir expectativas, mostrar que temos talento, quando o que queremos é apenas abraçar o mundo, conhecê-lo, vivê-lo em sua total experiência. E ai, quando vemos, a físico-química nos bate novamente e nos transformamos em velhos estúpidos, invejosos da ambição juvenil, porque nós não conseguimos completá-la e não queremos que outrem a complete. Egoísmo.

Por isso não nos conformamos. Não aceitamos o domingo em família assistindo o faustão e tomando cerveja, (na verdade, tomando cerveja nós aceitamos) nem os empregos estáveis, muito menos os amores sem paixão. Levamos adiante tudo, cegos diante de uma futuro incerto, mas certos de que, para valer a pena, a vida tem que ser vivida na sua totalidade. Vamos viajando, conhecendo pessoas, vivendo amores e, sobretudo, escrevendo. Escrever dá sentido a vida, dignifica a nossa experiência e nos permite compartilhar nossas visões.

Voltamos com certo (errado) atraso para escrever a quem quiser ler o relato das nossas vidas. E, mesmo sem dinheiro para comprar um domínio ou fazer um site com um layout legal, estamos aqui e continuamos não gostando do Zagallo e assistindo tudo com uma lata de cevada estupidamente gelada nas mãos. Somos o Catorze 2009, ou pelo menos, o projeto disso.

3 Comments

  1. Posted maio 26, 2009 at 3:47 pm | Permalink

    É isso ae, Catorze 2009 está no ar. Com ou sem Catorze cervejas. Com ou sem Catorze posts. Com ou sem Catorze planos. Mas com a certeza de que estamos Catorze vezes melhores!
    Vem muita novidade por ae, aguardem e confiram!

  2. Posted maio 26, 2009 at 5:26 pm | Permalink

    Engraçado, tive uma conversa pelo Twitter com Ana Davim hoje justamente sobre esse inconformismo, essa urgência de viver tudo ao mesmo tempo agora e a dificuldade de virar “gente grande”. Conversa de 140 caracteres de cada vez, bem profunda, você pode imaginar.

    Concordo com você sobre o egoísmo dos mais velhos, e sou contra essa superioridade ilegítima que os anos os conferem. Fazer o quê pra resolver? Escrever! Para essas e outras questões perturbadoras? Escrever! Bora ver se dessa vez a gente acha o sentido da vida no degrau cagado da escada, ou no pão de alho da espetaria ali na esquina.

    Sempre com uma gelada na mão pra ficar pensando melhor. Catorze brindes ao que há por vir!

  3. Posted maio 28, 2009 at 2:04 am | Permalink

    Sabe o que eu reparei? que o ultimo post de dezembro foi no dia 14 e com o título “Despedida”.

    que onda não!

    Mas agora eu vendo a galera se instigando, tenho certeza: “não nos conformamos”, “não aceitamos o domingo em família assistindo o faustão” e “vamos viajando, conhecendo pessoas, vivendo amores e, sobretudo, escrevendo”. Tudo isso sem esquecer que “para valer a pena, a vida tem que ser vivida na sua totalidade”.

    Belas palavras, mano Fábio. Vamos em frente!

    PS: na foto eu tô mais pra cubista que cubano.


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