Um Novo Espaço

Por Ramon RibeiroDSC02986

Quarta-feira à noite no Mercado de Petrópolis e lá estava eu tomando a sagrada cerva de fim de expediente. O local estava movimentado, com gente de todo tipo. Jornalistas, artistas, poetas, políticos, produtores culturais, todos compareciam ao evento de inauguração e revitalização de novos boxes no Mercado.

Dei uma volta pelo espaço sacando cada loja. O Cineclube Natal, além de inaugurar a sua sede no lugar, comemorava nesse 20 de maio seus quatro anos de existência. A primeira sessão organizada pela turma teve Terra em Transe, de Glauber Rocha. A iniciativa vingou, e apesar das dificuldades, o grupo continua atuante.

“Não vamos parar. A gente vai trabalhar para fortalecer as ações já existentes, capacitar pessoas. O foco é exibir filmes diferentes, que não são óbvios, discutir, pensar. Queremos socializar. Não somos um grupo fechado de estudo”, conversou o cinéfilo Pedro Fiuza, presidente do Cineclube, logo após os parabéns com direito a bolo para galera.

Pedro ainda comentou a importância da sede. “A gente passa a ter um local fixo de trabalho. Um local para disponibilizar o acervo, botar para a galera sacar. Também poderemos oferecer palestras, oficinas, cursos. Futuramente a gente planeja colocar uma televisão e realizar pequenas sessões, mas só depois”.

Continuando o passeio pelo Mercado, olhei vários stands como o da Velvet e o da Garagem Hermética de Quadrinhos (GHQ), que estavam expondo seus produtos na Feira de Artes e Antiguidades. Dei uma sacada no Sebo Cata Livros, que, assim como o Sebo Lisboa, fazia na ocasião a inauguração oficial do mais novo espaço.

A proprietária Vera Torres me recebeu de maneira bem agitada. Estava contente. Não parava de receber os cumprimentos de amigos pela abertura de mais uma unidade do sebo. Ela comentou que sempre sonhou em adquirir um espaço no Mercado, sonho que se realizou no início deste ano, quando ocupou o Box de número 8.

“Tu está vendo todo esse pessoal aí. E ainda dizem que o povo não gosta de cultura. O brasileiro gosta sim”, disse Vera, ao comentar sobre a quantidade de gente presente no Mercado em plena quarta à noite.

Dei uma zanzada pelas prateleiras à procura de um bom livro e achei muitos. Botei a mão no bolso, mas só encontrei dinheiro para as cervas, então levei só o que pude, uma revista velha. Se tivesse grana, quem sabe eu não levava “Os Filhos de D.João I”, livro de 1881, escrito por um tal J.P. Oliveira Martins, de Lisboa, avaliado em R$ 400.

Vera também falou de projetos para o Mercado. “A idéia é tentar realizar a Feira de Artes e Antiguidades toda 1ª quarta-feira do mês, com palestras, música, filmes. Música sempre atrai gente”, disse bastante entusiasmada.

Realmente a música chama público. E a programação musical do evento estava bem bacana, com as presenças de Khrystal, Carlos Zens, Diogo Guanabara, Macaxeira Jazz, Camila Masiso e Pau & Lata. Por isso que o pequeno espaço da praça de alimentação do Mercado ficou ainda menor com a imensa quantidade de pessoas que vieram curtir a noite cultural.

Eu encontrei o meu lugar. Fiquei quieto no balcão do conhecido Café da Dalila agarrado a minha cerva. E foi diante de tanta gente que encontrei Lívio Oliveira um pouco calibrado de cerveja.

“Isso aqui é uma revolução cultural. Se se firmar, vai mudar o perfil da cultura da cidade. Tem potencial para isso. Todo mundo está aqui. O Mercado desse jeito funciona como deveria funcionar. Se a prefeitura entender o que significa isso, o Mercado tem tudo para crescer, se turbinar”, comentou o poeta, que no dia 09 de junho lança o “Dança em Seda Nua”, seu livro de poemas eróticos com ilustrações de Dorian Gray.

E Lívio tem razão. Eu não costumo freqüentar o Mercado, mas nas vezes que apareci por lá para procurar um bom livro no finado sebo-bar Kriterion, o movimento era fraquíssimo. E nessa quarta-feira deu para ver que o local tem tudo para dar certo.

Com ótima localização, bom estacionamento, vários barzinhos, sebos, antiquário, galeria, Lan House, o Cineclube Natal, além de outras lojas, falta apenas uma programação cultural para o Mercado se tornar um ótimo destino para aquelas noites insossas de futebol na TV.

One Comment

  1. Posted maio 26, 2009 at 5:36 pm | Permalink

    E quanto às noites insossas de peregrinação a 30 barzinhos pra achar um que preste? Mercado neles!

    Os Bonnies ainda tem stand lá? E caldo de mocotó? Tem?


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