Magnólia tem dessas coisas

Por Ramon RibeiroMagnólia tem dessas coisas

Nem esperou terminar a aula. Quis chegar antes dela. Ao avistá-la, cumprimentou com um beijo longo de meio ano de namoro. E disse: “Veja o que fiz!”. Magnólia recebe o bilhete e não resiste ao simples poema: “Que lindo!”. Mas logo muda o tom. E sem ao menos preparar o parceiro para o que estava convicta a fazer, termina o relacionamento numa quarta-feira à noite.

Antônio, na volta para casa, desolado que estava, senta-se num bar disposto a beber. E bebe. Chora e se aguenta. Vai pra casa. Na cama, logo depois de chegar, ouve a campainha e vai atender. Ao abrir a porta, o grito: “Vingança!”. E Carlos Augusto Correia, conhecido como Corujão, dispara seu calibre 38. Cinco tiros perfuram o corpo, sendo que o último atinge o braço direito, deixando cair o poema manchado.

A mãe, que a pouco não tirava os olhos da novela, assistiu a tudo. E agora entra em desespero na entrada do Walfredo Gurgel, onde Antônio conseguiu chegar ainda com vida.

Dias depois, num jornal popular, um estagiário fez a matéria. Informou ele que o óbito aconteceu na madrugada após o crime, e que o Corujão, menor de idade, estava detido.

Corujão revelou estar arrependido. “Ela me pediu para matar ele em troca de uma coisa e eu aceitei. Ela arranjou um 38 e disse que ia ligar pra mim no dia marcado. A culpa é dela”, depois de uns minutos mencionou o que era o prometido: “ela ia dá pra mim”. Vejam bem a razão: sexo.

“Ela” era Francisca Magnólia Ferreira, 15, ex-namorada da vítima e que também estava detida. O revólver foi ela quem arranjou de outrem. E o motivo era simples.

Entendam. Antônio, um mês antes, teve um desentendimento com um rapaz no bar Maria Maria, e no fim da noite, resolveu a situação na bala. Matou o infeliz porque este o havia chamado de bicha. Realmente Antônio fazia as sobrancelhas, afinal, as suas eram juntas, e ele as dividia ao meio com bastante desvelo. Mas Antônio não era afeminado. Era na verdade mais um jovem moderninho sem acanhamento em assumir a vaidade.

Continuando. Acontece que, sem saber, Antônio matou o amante de sua então namorada Magnólia. O rapaz era dez anos mais velho que a garota, e a conheceu por acaso, passando na rua, quando ela, saidinha que era, comentava em grupo com as amigas a beleza física dele. No mesmo dia trocaram os primeiros beijos. Os dois seguiram, sempre às escondidas, o romance, que, da parte dela, cresceu bastante até terminar, quando o amante morreu por obra de seu namorado.

A conclusão a própria Magnólia explica: “Sabia que Corujão queria ficar comigo. Era fácil pedir pra ele matar o Toinho. Eu disse que ia dar pra ele, mas eu não ia. Já tinha até arranjado a arma. Aí pedi pra ele falar que era vingança antes de matar o Toinho de verdade. Quando mexem com alguém que eu gosto eu sou vingativa mesmo. Não vou mentir”.

Pra terminar. Não faltando o falecimento do pobre Antônio, no inquérito ainda constou que na mochila do jovem foram encontradas, além de uma pistola, 13 pedras de crack e 110 reais em espécie.

6 Comments

  1. Vitor
    Posted junho 4, 2009 at 6:17 am | Permalink

    Is this real life?!

    Tá vendo, Ramon, mire-se no exemplo e deixa essa mania de tirar a sobrancelha, moleque.

    E essa fulô?

  2. Ramon
    Posted junho 4, 2009 at 3:57 pm | Permalink

    Essa história não é verídica não, Vitor. É um conto louco mesmo. Apesar de que alguns detalhes eu tirei de páginas policiais.

    A flor é uma Magnolia liliflora, da família Magnoliaceae. A utilizei como imagem apenas pela coincidência com o nome da personagem. E pelo contraste com a personalidade nada doce da mesma.

    No mais, é isso.

  3. Beto Leite
    Posted junho 4, 2009 at 6:41 pm | Permalink

    Muito bom!!!

    Ramon ta com a porra!

  4. fabiofariasf
    Posted junho 4, 2009 at 11:38 pm | Permalink

    Hahaha.

    A mulher é sempre a galada de tudo. Parece real. Ficou muito bom!

  5. Rayanne
    Posted junho 8, 2009 at 2:51 pm | Permalink

    Como sempre, o mundo gira em torno das vulvas.

    Viva o nosso poder dissimulado e manipulador!

  6. Danyel
    Posted junho 16, 2009 at 6:18 pm | Permalink

    Parabéns Ramon pela sua historia!


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