De Cima.

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Por Vitor Azevedo

Eu sou aquele que vai andando, chutando latas pela avenida escurecendo agora, seis e pouco do dia, da noite. O sorriso escondido por camadas de frio e pensamentos incomuns, viagens incomuns. Eu sou aquele que você olha de longe, da sua janela ali no segundo andar, ali naquela avenida agora escurecendo. Eu sou o garoto mistério, noves fora, zero a zero, “queria conhecer você”, diz ela. Aquele que olha pra cima agora sou eu, estupefato, olho no infinito do teu quarto, elevado, “desce”. Do meu lado agora, seis e pouco da noite, somos eu ela, desconhecidos até o fim daquela rua, chutando latas, remoendo o asfalto, auto do que há por vir. Em vão?! Não. Ela é aquela garota que me olha todo dia, toda noite do alto daquela sua janela, vaso de flor, fita amarela, no cabelo a luz do pôr-do-sol. Eu sou aquele errante ponto de interrogação, passista passante, ermitão, meus passos no preto reluzente do asfalto, seis e pouco, diariamente.
Somos aqueles que conversam, que flertam, que têm nos olhos o brilho quase escurecendo do dia, da noite, do sonho acordando. Somos o novo, somos passo pro eterno, quase lá, chutando latas ali naquela avenida de sol e chuva.

– Você vem comigo?!
– Quem é você?!
– Eu só tenho essa garrafa e um doce no bolso do casaco.
– Fale a palavra.
– Pegue na minha mão.

Vamos logo. Amanhã, quase seis e meia do dia, da noite, chutando latas avenida abaixo serão vistos escurecendo agora, clareando as vistas.

*Um Feliz dia dos Namorados a todos.

3 Comments

  1. Rayanne
    Posted junho 13, 2009 at 9:20 pm | Permalink

    Caralho, Vítor!

    Uma coisa dessas até intimida. Agora é que eu não escrevo mesmo!

    (Pelo menos ficção não)

  2. Ramon
    Posted junho 17, 2009 at 6:08 pm | Permalink

    Porra, bicho!
    “…olho no infinito do teu quarto, elevado, ‘desce’”, “desconhecidos até o fim daquela rua”. Dei valor demais a essas frases.

    Vitor, me tira uma dúvida. “Eu só tenho essa garrafa e um DOCE no bolso do casaco”. Seria esse doce aquilo que eu estou pensando, ou não? hehehehe.

    Valeu.

  3. Posted junho 18, 2009 at 12:28 pm | Permalink

    Rapaz, a interpretação é de cada um. Mas digamos que o doce dá uma pitada de malícia na situação toda.

    Na verdade, citar a garrafa e o doce no bolso é descaradamente chupado de uma música do Mopho, banda muito legal de Maceió. Escrevi o texto inspirado pela canção e o “diálogo” acabou virando uma espécie de homenagem. Por mais piegas que seja é um dos meus textos que eu mais gosto, pela espontaneidade e leveza.

    Saca o Mopho aqui: http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=20107 e aqui http://www.overmundo.com.br/agenda/10-anos-de-mopho

    Acho que tu vai gostar…


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