Arte sob quatro rodas

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Por Ceci Oliveira

Quem consegue resistir a tentação de ver um carro empoeirado e não escrever com o dedo “Lave-me, por favor?”. O artista americano Scott Wade levou essa tentação ao extremo e a transformou em arte a poeira que se acumula nos vidros dos automóveis da região do Texas.

Scott Wade vive em São Marcos, na região do Deserto de Trans Peco, porção sudoeste do estado do Texas, Estados Unidos. Nessa área de terreno muito acidentado, e com um solo rochoso, é comum que com a ação do vento uma mistura de poeira de pedra calcária, cascalho e argila se fixem nos vidros dos carros.

O artista que vive à beira de uma auto-estrada movimentada localizada nessa região, um dia, farto de estar sempre a lavar o carro, começou a fazer os primeiros desenhos até descobrir que, usando os dedos como pincel e o pó acumulado como tela, podia realmente reproduzir qualquer imagem.

Seja fazendo releituras de obras famosas como ‘Monalisa’ de DaVinci, ou “A friend in need” de C.M. Coolidge, ou “Starry Night” de Van Gogh, ou até mesmo fazendo retratos como o de Albert Einstein, ou ainda, criando desenhos próprios, Wade dá vida nova aos carros que encontra por onde passa com a sua “Dirty Car Art” ou em português “Arte do carro sujo”.

Releitura de ‘Monalisa’ de DaVinci misturada com Starry Night” de Van Gogh.

Releitura de ‘Monalisa’ de DaVinci misturada com Starry Night” de Van Gogh.

Dependendo do grau de complexidade da imagem, a arte no vidro pode levar de três a seis minutos para ficar pronta. Para ele, a maior dificuldade na hora de construir uma imagem, é ao criar sombras e tons mais claros: “Os tons mais claros são duros de conseguir, até mesmo porque o mais leve toque da escova retira a maioria da poeira. Mais tarde, quando mais poeira se acumulou, o que era uma vez uma espécie de “tom” mais escuro, será um mais claro”, afirma Scott em entrevista.

Apesar de todo o esforço que realiza para finalizar uma obra, este é apenas um passatempo para Wade, que desenha interfaces para a Pixel Magic Imaging, uma empresa americana líder em soluções de imagens digitais e fotografia.

O artista já foi convidado para participar de festivais de arte nos Estados Unidos, como o Festival de Arte em Atlanta e o Evento dos fora da lei na Pensilvânia. Apesar desses e outros convites que já foram feitos, Scott nunca pensou em ganhar dinheiro com estas obras feitas de pó, para ele: a arte pode ser consumida, mas acima de tudo, deve ser apreciada. A “Dirty Car Art” permite a apreciação da arte, sem custo algum.

Retrato de Albert Einstein

Retrato de Albert Einstein

Em entrevistas ele afirmou que a sua arte é: A arte da Impermanênciado pó para o pó, e completa: “Uma dos pontos mais interessantes sobre a “Dirty Car Art”  é a forma como elas mudam ao longo do tempo, à medida que o veículo é conduzido pela estrada e sofre ação do vento. Uma “Dirty Car Art”  é uma às seis da manhã, e outra ao meio-dia, e ao fim do dia, poderá não ser mais nada, e isto é o melhor de tudo”.

Assim é a “Arte do carro sujo” produzida por Scott Wade, mas você aí de casa pode facilmente aderir a esta idéia, basta esperar essas chuvas passarem e ao se deparar com um carro sujo liberar toda a imaginação sob o vidro dos carros, boa sorte na produção.

E se você gostou  da arte produzida pelo Scott e quer conhecer melhor as suas criações basta acessar o site, onde além da galeria de fotos, tem novidades e o contato do artista para envio de convites a festivais e outros eventos. Ficadica que vale a pena confeir o trabalho desse americano que é simplesmente único.

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