Arte sob quatro rodas

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Por Ceci Oliveira

Quem consegue resistir a tentação de ver um carro empoeirado e não escrever com o dedo “Lave-me, por favor?”. O artista americano Scott Wade levou essa tentação ao extremo e a transformou em arte a poeira que se acumula nos vidros dos automóveis da região do Texas.

Scott Wade vive em São Marcos, na região do Deserto de Trans Peco, porção sudoeste do estado do Texas, Estados Unidos. Nessa área de terreno muito acidentado, e com um solo rochoso, é comum que com a ação do vento uma mistura de poeira de pedra calcária, cascalho e argila se fixem nos vidros dos carros.

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Uma ode à pobreza

garapa_2009_notaPor Fábio Farias

Antes de estourar com o popular “Tropa de Elite”, José Padilha já era um diretor conhecido no meio cinematográfico pelo seu trabalho anterior: o documentário “Ônibus 174” – que conta os detalhes da história do principal personagem responsável pelo seqüestro de um ônibus, no Rio de Janeiro, em 2000.

Em uma linguagem forte e crua, “Ônibus 174” impressiona e causa reviravoltas no estômago ao denunciar o contexto que está por trás da formação de um criminoso. Padilha voltou este ano para o documentarismo com “Garapa” seu novo trabalho em cartaz nos cinemas de Natal. Continue lendo

Imagens de uma nova geração

mcginley_marcel_ann__coleyPor Ramon Ribeiro

Que os jovens não são mais os mesmos de 40 anos atrás, praticamente todo mundo sabe. Mas conseguir explicar quem é essa molecada de hoje não é tarefa das mais fáceis. Um jovem, no entanto, conseguiu, através da fotografia, atrair os holofotes pra si ao expressar com tamanha proximidade essa geração.

Tudo bem que Ryan McGinley não seja mais tão jovem como quando começou, aos 22 anos, idade em que enviou para 100 pessoas, dentre elas artistas e editores de revista, um álbum contendo 50 fotografias suas. Intitulado “The Kids Are Alright”, algo como “As crianças estão bem”, o álbum despertou o interesse de críticos que passaram a observar com mais atenção o iniciante fotógrafo. Continue lendo

Arnaldo “Loki” Baptista

loki_posterPor Ramon Ribeiro

Mutantes é referência. Com suas músicas psicodélicas e aparência irreverente, a banda foi responsável por fincar o rock na cultura brasileira. O trio, composto por Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sergio Dias, também atravessou o Atlântico e agradou a gringalhada. Até hoje são tidos como a banda brasileira de maior prestígio internacional. E é justamente sobre um dos integrantes do grupo que o documentário “Loki” se trata.

O filme do cineasta Paulo Henrique Fontenelle, recém-lançado em terras potiguares, se propõe a contar os altos e baixos de Arnaldo Baptista, tido como um dos artistas mais inovadores da música brasileira. O personagem por si só vale o ingresso. No entanto, o diretor adiciona um tempero a mais ao documentário, pois narra de maneira franca e aprofundada a trajetória do mito. Continue lendo

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Lá na Carioca

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Por Ramon Ribeiro

Numa quinta-feira à noite, feriado, a Rua Gonçalves Ledo estava deserta. Como quem desce para o Baldo, no bairro de Cidade Alta, notei de longe que a casa de número 808 parecia estar bastante movimentada. Presumi que só poderia ser lá. Olhei calado, procurei alguma sinalização, alguma placa. Nada. “Pode entrar. É aqui mesmo”, me disse uma mulher rente ao portão. Ela estava com mais três amigos conversando e bebendo na frente da casa. Entrei. Continue lendo

Casa da Ribeira: Essa luz pode apagar

DSC_0079Fotos e texto: Fábio Farias
Edição: Priscila Adélia

– Quero deixar que vocês criem. Não se preocupem com o certo ou errado apenas criem. Gritou Henrique para uma turma de cerca de dez alunos que se amontoava no palco de madeira da Casa da Ribeira, no escuro.

Confusos, os meninos e meninas cataram os pedaços de papel e releram o que estava escrito. A expressão geral era de dúvida.

– Dou 20 minutos para vocês ensaiarem.

O Arte e Ação é um dos projetos de cunho educacional e cultural desenvolvido num dos principais centros de cultura independente do Brasil, a ONG Casa da Ribeira em Natal, no Rio Grande do Norte. Com oito anos de incentivos na produção teatral e em outras áreas como a música e as artes plásticas, o ambiente corre o risco de fechar. De novo.

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De Cima.

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Por Vitor Azevedo

Eu sou aquele que vai andando, chutando latas pela avenida escurecendo agora, seis e pouco do dia, da noite. O sorriso escondido por camadas de frio e pensamentos incomuns, viagens incomuns. Eu sou aquele que você olha de longe, da sua janela ali no segundo andar, ali naquela avenida agora escurecendo. Eu sou o garoto mistério, noves fora, zero a zero, “queria conhecer você”, diz ela. Aquele que olha pra cima agora sou eu, estupefato, olho no infinito do teu quarto, elevado, “desce”. Do meu lado agora, seis e pouco da noite, somos eu ela, desconhecidos até o fim daquela rua, chutando latas, remoendo o asfalto, auto do que há por vir. Em vão?! Não. Ela é aquela garota que me olha todo dia, toda noite do alto daquela sua janela, vaso de flor, fita amarela, no cabelo a luz do pôr-do-sol. Eu sou aquele errante ponto de interrogação, passista passante, ermitão, meus passos no preto reluzente do asfalto, seis e pouco, diariamente.
Somos aqueles que conversam, que flertam, que têm nos olhos o brilho quase escurecendo do dia, da noite, do sonho acordando. Somos o novo, somos passo pro eterno, quase lá, chutando latas ali naquela avenida de sol e chuva.

– Você vem comigo?!
– Quem é você?!
– Eu só tenho essa garrafa e um doce no bolso do casaco.
– Fale a palavra.
– Pegue na minha mão.

Vamos logo. Amanhã, quase seis e meia do dia, da noite, chutando latas avenida abaixo serão vistos escurecendo agora, clareando as vistas.

*Um Feliz dia dos Namorados a todos.

Jesus e seu tiro de misericórdia

Jesus Kid

por Beto Leite

Quando era mais novo achava que uma resenha era composta por dois parágrafos de sinopse e dois de opinião. Já faz uns cinco minutos que estou com o dedo sobre a tecla “enter”. Já formatei algumas frases soltas de milhões de formas diferentes esperando que uma idéia genial surja. Coço a cabeça olho para o lado. Livros, filmes na estante. Nada. Nenhuma idéia. A culpa é de Ramon. “Por que você não escreve uma resenha pro blog?”, disse. Mentira. A culpa é minha que provoquei.

– Terminei de ler Jesus Kid.

– Do Mutarelli?

– Isso. É massa! Continue lendo